terça-feira, abril 29, 2008


CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE

Crónicas de uma gota de água

Os rituais diários sucedem-se ao ritmo constante de uma estrada que apesar de sinuosa e repetitiva não satura nem cansa. Pelo contrário motiva e convida a serem executados e cumpridos.
Sempre em nome da missão de transportar cultura a uma terra e gentes que nada pedem para além daquilo que se sentem no seu direito de possuir e tantas vezes se sentem ludibriadas nas suas mais que justificadas expectativas.
Expectativas essas que vão muito além do trivial acesso eficaz e eficiente a cuidados de saúde, uma boa rede viária que permita deslocações de uma forma rápida e confortável mas que ultimamente apenas tem servido para esvaziar mais rapidamente esta terras de gente em busca de um justo sustento para a gestão familiar do dia-a-dia.
Por várias ocasiões interpelamo-nos sobre se realmente a Bibliomóvel faz ou não a diferença, no meio de toda esta incerteza em relação a um futuro que tem todas as condições para ser luminoso, assim se apercebam não só os “Senhores da Caneta”, com as suas politicas e acções mas igualmente as gentes desta terra que tanto tem para dar e que muitos teimam em menosprezar, mas que possui no seu intimo, por vezes tão longínquo, não a solução para todos os seus problemas, mas os recursos naturais, patrimoniais e sentimentais que podem e muito contribuir para ultrapassar estas contrariedades.
A sensação de gota de água num oceano que sentimos diariamente nas nossas andanças, leva-nos a persistir e insistir na importância da Bibliomóvel, pois uma gota de água pode fazer toda a diferença. Ao juntar-se a outras gotas de água transforma-se num ribeiro que irá dar a um rio que por sua vez irá desaguar a um oceano. Mesmo aqui o seu percurso continuará pois as marés e as correntes podem levar longe, muito longe esta gota de água.
Assim esperamos que esta gota de água, que orgulhosamente representamos possa um dia regressar, completando o seu ciclo e contribuindo para um crescimento que ser quer harmonioso, o que significa desenvolvimento não só para esta terra como para as gentes que a povoam.

O Papalagui

quarta-feira, abril 23, 2008



23 ABRIL
DIA MUNDIAL DO LIVRO

- Ler devia ser proibido-

"A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verosimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projectos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incómodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil. Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna colectivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro.

Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano."

Guiomar de Grammon
lembrança

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
ALVITO DA BEIRA - SOBRAINHO DOS GAIOS

segunda-feira, abril 21, 2008

curvas rectas

verde fluído

visitas

verde estático

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
PERGULHO - VALE DE ÀGUA - MOITAS

quinta-feira, abril 17, 2008

no caminho certo I

flor de sol

no caminho certo II

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
CORGAS - MALHADAL

quarta-feira, abril 16, 2008

"história de vida"

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RABACINAS - SOBRAL FERNANDO - MAXIAIS

quinta-feira, abril 10, 2008

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CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
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sexta-feira, abril 04, 2008

apanhados em três tempos III

apanhados em três tempos II

apanhados em três tempos I

ensaio

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
PADRÃO - LAMEIRA DE ORDEM - PALHOTA - MONTE FUNDEIRO

quinta-feira, abril 03, 2008

quarta-feira, abril 02, 2008

quarta-feira, março 19, 2008

território

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
RABACINAS - SOBRAL FERNANDO - MAXIAIS

terça-feira, março 18, 2008

Maestro Martins

As curvas da vida levaram José Martins a afastarem-se das letras e do alfabeto, mas levaram-no até as pautas e notas de musica. Com este saber correu terras do pinhal e raia espanhola:
" não há lugar com mais de 4 casas, nesta terra onde eu não tenha tocado!".
A vista já não lhe permite tirar grandes notas do seu acordeão, mas recorda com saudade as musicas que compôs.


EU NÃO SEI QUE MANEIRA EU VIVO DE TI AUSENTE

Eu não sei que maneira
eu vivo de ti ausente,
Meu gosto era amar-te
como antigamente.

Não me queiras ver com ternura,
tornamos o que era dantes
È o dever dos amantes,
que faz quebrar a maior jura.

E falando a verdade pura
não tenho a quem mais queira,
Foste tu a flor primeira
que no meu peito entrou.

Não me queiras ver com ternura,
tornemos o que era dantes
È o dever dos amantes,
que faz quebrar a maior jura.

È a maior jura, falando-te a verdade pura
não tenho quem mais queira
E dentro dele fechou
uma ausência tão gostosa

Sem ofensas venho-te pedir perdão!
E ela disse para mim:
Foi um rapaz muito belo que a dias me falou
Deveras me encantou com palavrinhas de mel.

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE

segunda-feira, março 17, 2008

receitas de bacalhau

"ponto tão bonito...!"

cogumelo aéreo

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
PEDRA DO ALTAR - PERAL - VALE DA MUA

quarta-feira, março 12, 2008


Novas Oportunidades

As curvas e contra-curvas sucedem-se a um ritmo alucinante, tal como o ritmo de circulação de informação na rede global, ao contrário da Bibliomóvel que circula por faixas bem mais apertadas na sua largura.

Ao longe, vislumbra-se a silhueta do mais recente utilizador da Bibliomóvel, juntamente com a sua mais recente e inseparável aquisição, um computador portátil com acesso directo a Aldeia Global. Desde logo a sua satisfação pela minha chegada é selada por um sorriso no olhar e por um, pouco efusivo mas sincero cumprimentos de boas vindas:

“- Boa Tarde Nuno!

-Boas Tardes! Então como vai tudo? Já conseguiu domar a fera!?

- Devagar, muito devagar…! Queria que me ensinasses a criar um email? Estive a navegar na pagina da câmara e da associação, mas eles pedem para eu registar-me e mandar um email.

- Vamos já tratar disso!

Após uma longa troca de conversas, sobre o nome, password, modos de enviar e ler emails, finalmente conseguimos criar uma conta de email e dar-lhe a hipótese de ficar ligado por mais uma linha à rede global de comunicação.

Dia seguinte de manha ao chegar à Biblioteca, verifico a minha caixa de correio electrónico e de todos os habituais, dois deles se destacam, pelo seu remetente. Abro-os e verifico o seu conteúdo, no primeiro a simples e singela palavra: “ OBRIGADO”. No segundo a curta mensagem: “Bom fim de semana”.

A sapiência popular diz-nos que o saber não ocupa lugar e por isso devemos estar sempre atentos a tudo o que nos rodeia e prontos a assimilar novos conhecimentos que com, certeza, nos levará a novas oportunidades de vida.

O Papalagui


CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE

segunda-feira, março 10, 2008

casa do...

mãos de ouro

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sexta-feira, março 07, 2008

disposição

mulher

leitura aromática


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3 a 7 de Março 2008

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quinta-feira, março 06, 2008

flyers


PLANO NACIONAL DE LEITURA
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3 a 7 MARÇO 2008


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terça-feira, março 04, 2008





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sexta-feira, fevereiro 29, 2008

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