quarta-feira, Julho 16, 2014

8-88888

 quadras de outra época

 fundação joaquim lourenço - carregais

para alguém longe da terra matar saudades!

off-road tunning

8-88888

crónicas de um bibliotecário-ambulante
fundação joaquim lourenço (carregais) - corgas - malhadal

segunda-feira, Julho 14, 2014

histórias de/e com alma

crónicas de um bibliotecário-ambulante
histórias de/e com alma
Sentado ao volante da Bibliomóvel (Biblioteca Itinerante) de Proença-a-Nova, já fui espectador protagonista e ouvinte de algumas histórias que escutei e vivenciei ao longo destes 8 anos de terras, estradas e gentes.
Cruzei-me com passados e com presentes, nem sempre luminosos mas sempre carregados de existências e vivências. Alguns deixaram marca!
M.E, mulher vivida e “batida” nos quatro cantos deste mundo, entre um copo de vinho, um cigarro na mão, um livro no colo e uma escalfeta nos pés, viveu (sobreviveu…) tendo como ligação quase exclusiva ao resto do mundo a Bibliomóvel, eu, uma irmã distante e moribunda e um amigo colorido que a deixou.
M.C, advogado, que a luxuria do Bairro Alto, as luzes do Casino, o álcool fizeram que com retornasse às ruas e campos que o viram nascer, para sarar feridas de anos e anos de consumo frenético e para tratar da sua mãe (eterna resistente!) e de um pequeno fato de cabras que passeava, levando sempre como cajado um livro. Numa ocasião, encontrei-o debaixo de uma oliveira, à sombra, “vigiando” com O Processo de Kafka.
M.E sobrevivia só, demasiado só. Desenraizada da terra que a viu nascer, à qual regressou depois de um longo périplo profissional como “secretária de direcção”, encontrou pouco mais que duas vizinhas que não a entendiam, mas que a tentavam ajudar e quase toda uma aldeia que não a entendiam, a catalogavam, recriminavam ou ignoravam.
M.C era um dos poucos que se abeirava da Bibliomóvel, usava avidamente os nossos recursos livreiros e jornaleiros, e com ele eu iniciava longas viagens que iam desde o Seminário, às “mulatas”,ao grogue e aos trilhos de Cabo Verde, mas que invariavelmente acabavam no Terreiro do Paço, Palácio de Belém, São Bento, Faculdade de Letras e, claro, o eixo Cais do Sodré/Bairro Alto.
M.E, todas a 2ª feiras, ligava, para saber como tinha corrido o fim-de-semana, para saber se havia novidades na biblioteca, saber (mesmo já sabendo de cor os nossos horários) se aparecíamos na 6ª feira dessa semana, dizer que tinha gostado de ler aquele livro, dizer que tinha detestado o outro, mas que o tinha lido na mesma. Dizer Olá e Adeus!
M.C raramente tinha um sorriso no rosto. Das poucas vezes que o observei, foi quando as nossas viagens de memórias alfacinhas aterraram na… Maria Filomena Mónica! Uma paixão? Um enamoramento?
M.E não cozinhava, não era dona de casa, apenas e só vivia (sobrevivia) sentada no sofá, com uma vista deslumbrante, deitada na cama com os seus companheiros inseparáveis. Na casa com a melhor vista da aldeia mas com graves problemas estruturais, que transformavam os longos invernos em penas presidiárias num espaço frio e húmido.
M.C tinha uma biblioteca em casa da qual usufruí, estabelecendo uma “troca comercial” rica e produtiva. Era uma pessoa culta, complexa, que tecia comentários esclarecidos sobre quase tudo, da realidade politica, social, económica regional, nacional e internacional.
M.E era mulher sem tabus, gostava de chocar, gostava de confrontar com a sua fina (por vezes grosseira) ironia as vizinhas, com detalhes íntimos da sua existência e experiências que chocavam de frente e com grande estrondo com a pacatez reinante. E como ela se divertia!!!
M.C bebia sempre um café cheio(frio),com pouco açúcar, quando o café estava aberto! Esperava por mim na esplanada (quando o café estava fechado), muitas vezes ao frio e à chuva com a companhia do seu fiel amigo de quatro patas que o venerava e respeitava. Acordava e almoçava sempre tarde. Muitas vezes, ainda em jejum, entrava, sentava-se dentro da Bibliomóvel e falava, conversava, escutava e, quantas vezes, passando largamente a hora de partida, saímos cada um para o seu destino. Ele, para fazer o almoço, cuidar da sua mãe e sair com as cabras.
M.E viveu e morreu! Nem na morte deixou de marcar e de chocar. Algum tempo antes de um desfecho, talvez não inesperado, tinha lido que havia a possibilidade de doar o corpo à ciência. Pediu-me que encontrasse os contactos necessários e, claro, fez todas as diligências necessárias.
Nem na morte, Sr. Nuno nem na morte! Aquela E. tinha mesmo que chocar e serdiferente!!!” Confidenciou-me uma das vizinhas.
M.C padecia de uma grave doença respiratória que exigia internamento, mas voltava sempre! Ultimamente, mais magro e debilitado, mas sempre com vontade de falar e viajar pelo passado. Emprestei-lhe os últimos livros sem saber. Não me despedi dele!
M.E andava mais cansada, mais desanimada, mais aérea, mais sob o efeito de uma alimentação, quase exclusivamente feita à base de sumo de uva(se é que tinha algum!!) fermentado, de fraca qualidade e barato. Um primeiro aviso! Seguiu-se um período de acalmia e de até uma quase miraculosa recuperação. Um renovar de laços com as vizinhas mais próximas que começaram a deixar a porta aberta a uma preocupação maternal, à qual M.E respondeu com uma colaboração, bastante profissional em assuntos burocráticos.
Uma recaída, uma queda feia, um partir inesperado. Não me despedi dela!
As andanças da Bibliomóvel de Proença-a-Nova também são isto. Isto e sempre algo mais…


sexta-feira, Julho 11, 2014

"um livrinho para mim!"

 "toca lá este fadinho!"

 sons do interior

 sons para fora

 sons de dentro

"um livrinho para mim!"

vira virado

crónicas de um bibliotecário-ambulante
santa casa da misericórdia sobreira formosa-cunqueiros-forneas-pedras brancas

quarta-feira, Julho 09, 2014

chave simbólica

video
roda,rodou

 palminhas

 "apitó comboio!!"

 vira,virou!

 "um rapaz como este..."

 musica e palavra no largo

 tranquilidade

 busca activa de emprego

chave simbólica

sinergias de bem estar

video
ti rosa da ferraria

crónicas de um bibliotecário-ambulante
centro dia montes da senhora - alvito da beira - sobrainho dos gaios

segunda-feira, Julho 07, 2014

coça a pulga

 "estamos aqui!"

 mitigar a sede

 coça a pulga

 mal me quer, bem me quer

 faz sol e calor

"qual gostas mais!!!"

crónicas de um bibliotecário-ambulante
cimadas cimeiras - cimadas fundeiras - vergão

quinta-feira, Julho 03, 2014

+ nítido

 "esplanading"

 cobertura

 pouca nitidez

 + nítido

 transporte singular

barrela

crónicas de um bibliotecário-ambulante
padrão-s.p.esteval-lameira de ordem-palhota-monte fundeiro-borracheira

quinta-feira, Junho 26, 2014

8 & ∞


crónicas de um bibliotecário-ambulante

8 & ∞
Palavras para celebrar um aniversário ou a passagem de mais um ano, são quase sempre difíceis de arranjar. Queremos tanto dar um toque de celebridade, mas o que sai da caneta e das teclas soa e fica sempre aquém e além daquilo que gostaríamos de transmitir.
No 26 de junho de 2006, a caminho daquela que seria a primeira paragem, ao volante das Andanças da Bibliomóvel de Proença-a-Nova, não escondo a existência de um misto de emoções e sensações, nem sempre coincidentes e até bastante antagónicas entre si.
A chegada ao largo da primeira aldeia! O primeiro contacto e impacto! As primeiras palavras de apresentação daquilo que éramos e ao que vínhamos! Tudo contribuiu indelevelmente para a marca deixada e pela certeza alcançada que tudo aquilo fazia sentido. Tudo isto faz sentido!
Olhando hoje para o conta-quilómetros, deparo-me com uma feliz coincidência numérica. Em semana de comemoração do 8º aniversário ele marca 88098(perto da capicua 8-88888!!).
O número redondo pouco ou nada representa para além da curiosidade numérica aliada a coincidência cronológica.
Detrás de cada 8 existiu o asfalto percorrido, ora escaldante, ora encharcado, existe o horizonte, ora vasto e longínquo ora próximo e quase claustrofóbico e existirá sempre a gente, que todos os dias aqui se acerca, entra, usa, abusa e desfruta deste espaço de liberdade e cidadania que se chama Bibliomóvel de Proença-a-Nova.
As histórias, as estórias, os momentos presenciados, vividos e sentidos desde aquele 26 de Junho de 2006 têm sido inúmeros e diversos. São episódios que ficam e vão com certeza ficar marcados no meu íntimo. Imagens inesquecíveis que assaltaram a minha visão, serviram de ilustração a momentos gravados com a emoção e sentimento, mas também com o discernimento da razão que impele este serviço público de Biblioteca.
Do 8 ao infinito podia ser apenas mais um título mas representa bem as lonjuras deste período, em que surgiram as Andanças da Bibliomóvel de Proença-a-Nova. Racionalmente elas têm balizas, Emocionalmente não!!