quarta-feira, dezembro 07, 2016

na esquina do tempo que passa

resiliente & paciente  

pedras e corações  

activo em actividade  

na esquina do tempo que passa 

crónicas de um bibliotecário-ambulante
vale das balsas - figueira - catraia cimeira - póvoa

segunda-feira, dezembro 05, 2016

a 36ª tem…um "Terraço da Partilha"!

crónicas de um bibliotecário-ambulante

a 36ª tem…um "Terraço da Partilha"!
 E tudo começa, como sempre com uma conversa apanhada no meio de uma estrada:
“- você até que podia fazer um desvio e ir até ali ao povo de baixo escusava eu de vir a pé até aqui!”. Podia ter sido assim, como as anteriores foram, a implementação da 36ª estação. Um encontro, um pedido e a concretização de uma nova paragem nesta rede funcional e afectiva que são as andanças da Bibliomóvel de Proença-a-Nova. Não foi.
Uma conversa e uma reportagem televisiva levou-me até ela e o desconhecimento sobre ela impulsionou-me a saber mais sobre ela. Fiz perguntas sobre ela; pesquisei sobre ela; quis saber a melhor maneira de chegar até ela. Este atrevimento foi recompensado e as redes sociais deram o impulso final para chegar até a um dos moradores, proprietário de uma micro-empresa de óleos aromáticos e através da sua página institucional foi feito o primeiro contacto.
A primeira resposta, as primeiras descrições das geografias e das pessoas foram marcantes e rapidamente percebi que (ela) tinha tudo para ser uma daquelas paragens que deixam marca.
“-Aconselha-me algum sítio onde possa estacionar a Bibliomóvel?
- Sim pode deixá-la no Terraço da Partilha!
- Terraço da Partilha??????
- Sim é o terraço de uma casa onde a aldeia toda se junta para estar, conversar e partilhar. Daí o nome!”
Se dúvidas houvesse, depois desta troca de mensagens elas dissiparam-se e no dia agendado a hora marcada a Bibliomóvel iniciou a ingreme e sinuosa descida até ela. A 36ª.
Um pequeno povo de poucos habitantes e anda menos possíveis utilizadores/frequentadores/Amigos daquilo que uma Biblioteca leva e disponibiliza. A regra estatística da quantidade nunca foi tida em conta nas andanças da Bibliomóvel. Existe uma pessoa, mas essa pessoa quer, gosta, precisa, desfruta daquilo que levamos e proporcionamos? Vamos e estamos!
A aldeia do Carvalhal incrustada no fundo das faldas da serra do Vergão, perto do caudal da Ribeira da Isna e onde o verde ainda domina no horizonte lá nos recebeu e logo ao primeiro contacto visual e funcional as boas sensações e emoções surgiram. As palavras trocadas, as regras (poucas) explicadas, as solicitações pedidas, as palavras de boas vindas, as promessas de regresso tudo se conjugou num final de tarde a raiar a perfeição.
E agora!? Agora é continuar a fazer acontecer as andanças de uma Biblioteca Pública sobre rodas em estradas, terras e gentes de Proença-a-Nova, tal como fazemos desde o dia 26 de Junho de 2006 em busca de Pessoas ou de uma Pessoa que acredite e sinta o poder de mudança que uma Biblioteca pode ter no seu quotidiano.
Existe uma Pessoa!? Nós vamos, estamos e damos aquilo que transportamos.

A caminho da 37ª…ela vem aí!

quarta-feira, novembro 30, 2016

fardo atapetado

atendida e servida  

máquina e a sua sombra  

invernia mundial  

fardo atapetado 

crónicas de um bibliotecário-ambulante
corgas - malhadal 

terça-feira, novembro 29, 2016

a 35ª tem...

mãos crivadeiras 

leituras recolectoras  

paginando  

direcções para a 35ª 

a 35ª 

um dos que a 35ª tem 

...um terraço da partilha!

crónicas de um bibliotecário-ambulante
cimadas cimeiras - cimadas fundeiras - vergão - carvalhal

sexta-feira, novembro 25, 2016

histórias dos suspiros para o descanso eterno

reflexos aquáticos  

camuflagem  

histórias dos suspiros para o descanso eterno 

e no braço vão as..."esfregonas da alma!" 

ciência na aldeia - sabão ancestral 

ciência na aldeia - sabão ancestral

crónicas de um bibliotecário-ambulante
pedra do altar - estevês - peral - vale da mua 

e ela chega...sempre

as tertulias  

imenso  

e ela chega...sempre  

e ela vem...sempre

crónicas de um bibliotecário-ambulante
cunqueiros - fórneas - pedras brancas

quinta-feira, novembro 24, 2016

curvilínea e generosa

porta com porta 

vazio...ocasional  

apesar de tudo,sobretudo,por causa de tudo! 

regresso do garimpo  

curvilínea e generosa 

crónicas de um bibliotecário-ambulante
vale das balsas - figueira - catraia cimeira - póvoa 

quarta-feira, novembro 23, 2016

"raios ta partissem, pernas ohhh diabo!"

bolinhas de gelo a cair do céu  

levar a dose recomendável de palavras  

"raios ta partissem, pernas ohhh diabo!" 

vultos de pessoas que existem 

"a inexplicável andança deste mundo...!" 

a bonança

crónicas de um bibliotecário-ambulante
alvito da beira - sobrainho dos gaios

quarta-feira, novembro 16, 2016

outros tesouros qualificáveis e quantificáveis

testes para o Qualifica 

"olhe aqui...aqui é que está o tesouro!" 

outros tesouros qualificáveis e quantificáveis 

topos de gama 

já cá canta

crónicas de um bibliotecário-ambulante
rabacinas - sobral fernando - maxiais - giesteiras

terça-feira, novembro 15, 2016

uns e outros mais...

uma só!? 

uma só e outra! 

uma só, junto de outros! 

uma a uma 

fumegante e azeiteiro

crónicas de um bibliotecário-ambulante
cimadas cimeiras - cimadas fundeiras - vergão

sábado, novembro 12, 2016

tropecei numa Biblioteca Mágica

crónicas de um bibliotecário-ambulante

tropecei numa Biblioteca Mágica
Ao longo da minha gesta em busca de serviços bibliotecários sobre rodas, fui caindo no regaço de muitos projectos que fazem da itinerância a sua razão de existir e sentir a sua missão de fazer acontecer Biblioteca. Foi assim que tudo começou!
Um dia segui a pista, com um nome estranho mas o que era estranho, rapidamente entranhou-se no mais profundo do meu ser bibliotecário e perdidamente apaixonado pelas Bibliotecas Itinerantes.
Um pequeno pássaro preto foi o objecto simbólico que apresentou e introduziu aquela Biblioteca Itinerante, grafitada e com estranhas formas, algures entre o desajeitada e a anormalidade estética e aerodinâmica. Estava tão enganado… quanto a sua graciosidade e nobreza. Estava mesmo muito enganado…
Quanto mais conhecia, quanto mais lia, quanto mais via, quanto mais aprendia, mais sentia que aquela Biblioteca não era uma Biblioteca qualquer!
As Pessoas que faziam acontecer esta Biblioteca, não eram iguais, não podiam ser iguais.
Os utilizadores/frequentadores/visitantes só podiam ser diferentes e distintos naquela força que os impelia a ir, estar, usar, abusar e desfrutar daquela Biblioteca sobre rodas.
O primeiro encontro cara a cara, proporcionou-se pela primeira vez no outro lado da Raya Imaginária apadrinhado pela Família BiblioMovilera Ibérica. Eles dizem que foi inesquecível. Eu digo, foi uma tatuagem permanentemente desenhada e pigmentada no fundo daquilo que julgamos ser o nosso mais profundo ser e saber fazer.
O segundo encontro foi épico e ao mesmo tempo revelador da pequenez desta bola de ar, água, terra e algo mais… onde tudo e todos podemos um dia cruzar os caminhos nos locais mais inverosímeis. Quais são as probabilidades de um bibliotecário-ambulante de Castelo Branco, em andanças por estradas, terras e gentes de Proença-a-Nova, ao volante da Bibliomóvel, encontrar nas arcadas da Praça do Giraldo em Évora o mentor, ideólogo, responsável, amante, dinamizador desta Biblioteca Mágica que faz das areias do Sahara Ocidental as suas geografias funcionais e sentimentais? Poucas! Nenhumas! Isso nunca podia acontecer. Aconteceu!
Fomos acompanhando mutuamente as alegrias, os desafios, os dramas, os eternos anseios, as derrotas e vitórias de cada um destes projectos de ir e levar Biblioteca. Deste lado de cá do Mediterrâneo, um bibliotecário-ambulante por terras do Pinhal, bebia e sorvia o exemplo daqueles que em condições impossíveis iam construindo do nada, apenas e só com aquela Vontade de fazer acontecer, o Quase Tudo. Esse Quase Tudo dá pelo nome de Bubisher : Biblioteca Itinerante dos campos de refugiados do Sahara Ocidental - http://www.bubisher.org/. Uma Biblioteca que leva o sopro da Liberdade a uma terra sem povo e a um povo sem terra.
O ano 2016 é de celebração para a Bibliomóvel de Proença-a-Nova, cumprem-se dez anos desde aquele dia 26 de Junho de 2006, em que numa tarde muito quente cumprimos aquela que seria a primeira andança deste binómio Homem/Maquina que todos os dias faz acontecer Biblioteca Pública sobre rodas. A Festa aconteceu! Foi uma Festa bonita!
À Festa vieram Amigos/Companheiros/Camaradas/Irmãos desta enorme Família BiblioMovilera que atravessa Rayas Imaginárias um pouco por todo o planeta. Entre esses participantes estava aquele Homem alto, com barba e cabelo de um perfeito alvo que contrastava com a pele tisnada pelo sol do deserto onde cada ruga é uma duna, cada sulco de pele uma lomba dos caminhos tortuosos do deserto da Sahara. É o Gonzalo Moure!
O Gonzalo e o Bubisher ensinaram-me que uma velha máxima aprendida em redor de uma fogueira, numa madrugada fria e que nos impele a Resistir, Insistir e Nunca Desistir de Existir pode e é um combustível social e afectivo de alto rendimento e um Sonho pode ser concretizado.
O sonho do Bubisher é daqueles em que todos os dias que passam é mais um dia em que uma ideia louca (ou não) se transformou e transforma numa linda, difícil, mas linda realidade onde a ideia de que uma Biblioteca pode fazer a diferença numa Comunidade é materializada e acontece diariamente.

A noite, daquele dia de aniversário ia alta, as defesas emocionais estavam em baixo, uma despedida que será sempre um: "até ao próximo cruzamento ou curva na estrada", uma oferenda especial e manufacturada especialmente pelas mãos de gente que Resiste, Insiste e Nunca Desistem de EXISTIR nas areias do Sahara Ocidental Livre. 
As lágrimas a custo eram barradas, mas em torrente deslizavam pelo rosto. O lenço verde (Zam Saharaui) não mais saiu do meu pescoço naquele fim de Festa e tem-me sempre acompanhado como lembrança de um reencontro. um objecto vivo que irá servir de amuleto e de símbolo de Respeito, Admiração, AMIZADE entre duas pessoas, dois projectos, duas paixões pelas Bibliotecas Itinerantes e pelas Palavras que levam Liberdade a um Povo sem terra numa terra sem Povo.
O Bubisher atravessa um momento difícil, os veículos que constituem a sua frota de mensageiros da Boa Sorte e transportadores da Liberdade encontram-se em fim de vida útil (mecânica e estrutural) pelas duras condições onde diariamente circulam e trabalham.

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