quinta-feira, setembro 20, 2007


Crónicas de um Bibliotecário-Ambulante

Regresso

No regresso à estrada, nas andanças pelos caminhos de Proença-a-Nova, dei por mim a pensar nos 40º graus à sombra, de alguns dias de Verão, na chuva forte e incessante do Outono, no frio cortante do Inverno, no pólen da Primavera, no alcatrão irregular e inconstante, nas curvas e contra-curvas, no torpor de sempre….

Enfim, todo o lado mais lunar desta magnífica experiência, que por vezes se mostra em toda a sua brutalidade. Apesar de tudo, a vontade de continuar é muita e recomenda-se:

“ Enquanto houver estrada para andar / a gente vai continuar/ enquanto houver ventos e mar / a gente não vai parar.” Jorge Palma.

Foi assim, a este cenário que voltei. Regresso com vontade de repetir jornadas de convívio fraterno e gratificante entre gentes e lugares que aos poucos se foram conquistando, e que manifestam o seu contentamento pelo meu retorno.

Nas primeiras trocas de palavras fico ao corrente das últimas, da terra e das gentes que fazem parte do grupo de habituais frequentadores. Qual serviço noticioso regional e local, fico a par de rumores, boatos, velhos receios, novas esperanças e eternos anseios de resistentes, que assistem ao passar das estações meteorológicas e cronológicas, como águas calmas de um ribeiro.

É bom estar de volta!
O Papalagui