quinta-feira, janeiro 31, 2008


O fim de mais uma jornada é acompanhado pelo suave e terno deslizar do sol rumo as serranias, porto de abrigo que o acolhe no seu lado lunar.

Ainda no interior da última paragem da jornada, reconheço um olhar e uma voz que reclamam a minha presença. È um dos habituais frequentadores (hoje ausente) das nossas tertúlias quinzenais:

- Boas Tardes!

- Olá Amigo Boas Tardes! Então tudo em ordem? Hoje não apareceu!

- É verdade estou aqui a espera das senhoras do Centro de Dia!

Desço da Bibliomóvel e vou ao seu encontro, cumprimento-o e damos dois dedos de conversa. Na ombreira de uma porta uma placa em mármore branco sobressai no negro do xisto, nela está inscrita uma expressão:

COKA MISSAVA –

Questiono-me sobre o seu significado e pergunto o seu valor:

- Sabe…! Em Moçambique…! Havia uma altura do ano que a água corria do céu, havia muita cheia…, os rios transbordavam e alagavam as terras e as estradas. Nas fazendas fazia-se tudo, e mais houvesse, para evitar que a água levasse o trabalho de um ano. Construíam-se diques e barreiras de terra e pedras.

Eu era capataz de uma fazenda e nessas alturas estava sempre a gritar: Puxa Terra, Puxa Terra !!

Assim ficou o nome – COKA MISSAVA – que na fala deles significa o Puxa Terra.

Mais um dia, mais histórias de uma vida, mais um ensinamento para a vida.

O Papalagui

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
ALVITO DA BEIRA - SOBRAINHO DOS GAIOS