CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
Ultimo capítulo
longo destes anos de andanças da Bibliomóvel, tenho tido o privilégio e a honra de conhecer autênticos apaixonados pelo livro e pela leitura.
Alguns desses apaixonados vêm nos livros e na leitura portos de abrigo, para momentos em que importa apaziguar alguma solidão e isolamento a que foram vetados, por opção ou obrigados pelas inúmeras circunstâncias de vidas vividas.
Uma das realidades a que nos fomos habituando (sem realmente o fazer) foi a sensação de perca quando alguém dos nossos utilizadores/visitantes/Amigos, chega ao último capítulo desse extenso e intenso livro que é a Vida.
A notícia chegou e apesar da nossa última fugaz conversa ter ocorrido na passada 6ª feira e o seu estado de fragilidade galopante, não deixar grandes margens de surpresa, foi recebida com uma sensação de impotência perante um facto esperado e consumado.
A D.Eduarda foi desde a primeira visita (a seu pedido) uma das mais entusiastas utilizadoras/visitantes/Amigas da Bibliomóvel e do bibliotecário-ambulante.
Nestes últimos anos a Bibliomóvel deslocava-se de propósito a sua casa, para abastecer de livros e mitigar a sua fome de leitura e companhia.
Era também a D. Eduarda que nos ligava simplesmente a perguntar como tinha corrido o fim-de-semana, verificar a data da próxima visita ou simplesmente dizer: Olá, como está!
Como bibliotecário, sentia-me sempre muito feliz pelas imensas quantidades de livros da Bibliomóvel e pessoais que lhe emprestava e que ela retribuía. Como ser humano preocupava-me a excessiva tentativa de isolamento, muitas vezes em situações precárias, do resto do mundo que a rodeava.
Como última lembrança tenho uma encomenda que solicitou de um livro (que mais poderia ser!) para oferecer a uma sobrinha que tinha nascido havia 2 meses, e que ela queria desde o berço evangelizar para sua religião e para o seu deus: A Leitura e o Livro.
Espero que para onde tenha ido, exista por lá uma biblioteca bem recheada e abastecida pois sei que assim estará, finalmente FELIZ! RIP.
opapalagui


5 Comments:
Este post é no mínimo, COMOVENTE!
Dezembro 14, 2011 2:19 PM
Bem haja José Rosa pelo comentário.
Era de facto uma pessoa especial com todas as suas especificidades, nem sempre compreendidas. Vou ter saudades!
Abraço
Dezembro 14, 2011 3:32 PM
Parabéns por esse belíssimo trabalho que você fez conduzindo o Bibliomóvel,um mundo sobre rodas, e parabéns belo texto dedicado a D. Eduarda, com certeza ela está se entregando em palavras e saberes.
Janeiro 15, 2012 5:37 PM
Obrigado Ana Luiza!
Janeiro 16, 2012 10:51 AM
É muito bom e empolgante para mim, como estudante da graduzção de biblioteconomia, ver trabalhos como este sendo realizados! Continue em frente, aliás, continuemos todos nós em frente, pensando sempre no ser humano, e não apenas em regras e técnicas...
Janeiro 26, 2012 1:20 PM
Enviar um comentário
<< Home