terça-feira, dezembro 13, 2011


CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE

Ultimo capítulo

longo destes anos de andanças da Bibliomóvel, tenho tido o privilégio e a honra de conhecer autênticos apaixonados pelo livro e pela leitura.

Alguns desses apaixonados vêm nos livros e na leitura portos de abrigo, para momentos em que importa apaziguar alguma solidão e isolamento a que foram vetados, por opção ou obrigados pelas inúmeras circunstâncias de vidas vividas.

Uma das realidades a que nos fomos habituando (sem realmente o fazer) foi a sensação de perca quando alguém dos nossos utilizadores/visitantes/Amigos, chega ao último capítulo desse extenso e intenso livro que é a Vida.

A notícia chegou e apesar da nossa última fugaz conversa ter ocorrido na passada 6ª feira e o seu estado de fragilidade galopante, não deixar grandes margens de surpresa, foi recebida com uma sensação de impotência perante um facto esperado e consumado.

A D.Eduarda foi desde a primeira visita (a seu pedido) uma das mais entusiastas utilizadoras/visitantes/Amigas da Bibliomóvel e do bibliotecário-ambulante.

Nestes últimos anos a Bibliomóvel deslocava-se de propósito a sua casa, para abastecer de livros e mitigar a sua fome de leitura e companhia.

Era também a D. Eduarda que nos ligava simplesmente a perguntar como tinha corrido o fim-de-semana, verificar a data da próxima visita ou simplesmente dizer: Olá, como está!

Como bibliotecário, sentia-me sempre muito feliz pelas imensas quantidades de livros da Bibliomóvel e pessoais que lhe emprestava e que ela retribuía. Como ser humano preocupava-me a excessiva tentativa de isolamento, muitas vezes em situações precárias, do resto do mundo que a rodeava.

Como última lembrança tenho uma encomenda que solicitou de um livro (que mais poderia ser!) para oferecer a uma sobrinha que tinha nascido havia 2 meses, e que ela queria desde o berço evangelizar para sua religião e para o seu deus: A Leitura e o Livro.

Espero que para onde tenha ido, exista por lá uma biblioteca bem recheada e abastecida pois sei que assim estará, finalmente FELIZ! RIP.

opapalagui