segunda-feira, dezembro 05, 2016

a 36ª tem…um "Terraço da Partilha"!

crónicas de um bibliotecário-ambulante

a 36ª tem…um "Terraço da Partilha"!
 E tudo começa, como sempre com uma conversa apanhada no meio de uma estrada:
“- você até que podia fazer um desvio e ir até ali ao povo de baixo escusava eu de vir a pé até aqui!”. Podia ter sido assim, como as anteriores foram, a implementação da 36ª estação. Um encontro, um pedido e a concretização de uma nova paragem nesta rede funcional e afectiva que são as andanças da Bibliomóvel de Proença-a-Nova. Não foi.
Uma conversa e uma reportagem televisiva levou-me até ela e o desconhecimento sobre ela impulsionou-me a saber mais sobre ela. Fiz perguntas sobre ela; pesquisei sobre ela; quis saber a melhor maneira de chegar até ela. Este atrevimento foi recompensado e as redes sociais deram o impulso final para chegar até a um dos moradores, proprietário de uma micro-empresa de óleos aromáticos e através da sua página institucional foi feito o primeiro contacto.
A primeira resposta, as primeiras descrições das geografias e das pessoas foram marcantes e rapidamente percebi que (ela) tinha tudo para ser uma daquelas paragens que deixam marca.
“-Aconselha-me algum sítio onde possa estacionar a Bibliomóvel?
- Sim pode deixá-la no Terraço da Partilha!
- Terraço da Partilha??????
- Sim é o terraço de uma casa onde a aldeia toda se junta para estar, conversar e partilhar. Daí o nome!”
Se dúvidas houvesse, depois desta troca de mensagens elas dissiparam-se e no dia agendado a hora marcada a Bibliomóvel iniciou a ingreme e sinuosa descida até ela. A 36ª.
Um pequeno povo de poucos habitantes e anda menos possíveis utilizadores/frequentadores/Amigos daquilo que uma Biblioteca leva e disponibiliza. A regra estatística da quantidade nunca foi tida em conta nas andanças da Bibliomóvel. Existe uma pessoa, mas essa pessoa quer, gosta, precisa, desfruta daquilo que levamos e proporcionamos? Vamos e estamos!
A aldeia do Carvalhal incrustada no fundo das faldas da serra do Vergão, perto do caudal da Ribeira da Isna e onde o verde ainda domina no horizonte lá nos recebeu e logo ao primeiro contacto visual e funcional as boas sensações e emoções surgiram. As palavras trocadas, as regras (poucas) explicadas, as solicitações pedidas, as palavras de boas vindas, as promessas de regresso tudo se conjugou num final de tarde a raiar a perfeição.
E agora!? Agora é continuar a fazer acontecer as andanças de uma Biblioteca Pública sobre rodas em estradas, terras e gentes de Proença-a-Nova, tal como fazemos desde o dia 26 de Junho de 2006 em busca de Pessoas ou de uma Pessoa que acredite e sinta o poder de mudança que uma Biblioteca pode ter no seu quotidiano.
Existe uma Pessoa!? Nós vamos, estamos e damos aquilo que transportamos.

A caminho da 37ª…ela vem aí!