quinta-feira, junho 26, 2008


CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE

Parouvela, Garouva ,Berzundela...


Com a criação da Maletras – A Mala das Letras serviço de apoio bibliotecário aos Centros de Dia do concelho de Proença-a-Nova, pretende-se transportar alguma animação a gentes que pela dura realidade da nossa existência se transformaram em reflexos de outrora, limitando-se a esperar que as horas e os dias passem.

Aqui os nossos objectivos como bibliotecários, na promoção do livro e da leitura, a disponibilização eficaz e eficiente da informação é de certo modo substituído pela tentativa de levar algum conforto emocional com palavras e presença amistosa, que possam mitigar um pouco a falta do aconchego do lar, a saudade pela ausência dos entes queridos, a falta de vigor físico e mental, enfim o desalento da impotência sentida por se verem cada vez mais excluídos e dependentes dos processos habituais e básicos da sua subsistência.

A incerteza da reacção à nossa visita é um sentimento que assalta o meu intimo pensar, a cada nova paragem da Bibliomóvel. No entanto essa incerteza era agora maior e causava, confesso, alguma ansiedade.

Essa ansiedade era sem dúvida proporcional à dúvida sobre qual seria a recepção dos utentes do primeiro Centro de Dia a ser visitado pela Maletras, durante a curta viagem, mil e uma imagens e sons passaram-me pelos sentidos, mil e uma ideias assaltaram-me a razão, mil e uma duvidas cercaram a minha mente, apenas uma certeza… a vontade de fazer sempre o melhor possível.

Foi com essa vontade de sempre e creio que para sempre, que entrei porta a dentro…

Depois da saudação, peguei num livro que estava na Maletras, sobre usos e costumes do concelho de Proença-a-Nova e começamos, em conjunto um exercício de busca de significado para algumas palavras e expressões usadas pelos seus habitantes, em tempos idos e que permaneceram na

memória destas gentes, embora grande parte delas estejam ainda no vocabulário quotidiano destas terras.

- “Começamos pela primeira letra do alfabeto, a palavra abagado, o que acham que ela significa!?

-Abagado…!? Eu acho que é algo caído!

- Aquela casa está abagada, abandonada, acho que é isso, não é?

- È mesmo isso, acertaram!

-Aqui vai outra, a palavra abentesma, o que significa? (gargalhada geral)

-Olhe anda para aí com cada abentesma!!

-Isso é uma pessoa mal jeitosa, toda sem acareio!

- Acareio?? E essa o que significa?

- Significa que uma pessoa com acareio é uma pessoa jeitosa, bem compostinha!

-Encontrei aqui outra interessante, berzundela, o que é?

-Olhe andam por aí muitas abentesmas com grandes berzundelas…!

- Isso é os bêbedos…!

-Então e uma parouvela?

- Uma parouvela é uma ventania…!

-Uma rajada de vento…! Vem uma parouvela de vento e levanta-nos a saia…!

- O que é uma garouva?

- Olhe isso éramos nós quando mais novas, éramos muito brincalhonas, agora é que já não…!”

Na viagem de retorno uma imagem ficou gravada na minha memória e que apagou toda a ansiedade inicial, as gargalhadas dadas durante aquele exercício de reavivar palavras e expressões, fizeram surgir no meu interior o sentimento de plenitude e de missão cumprida, mas não finalizada.

O Papalagui


quarta-feira, junho 18, 2008

fim de tarde

ide por ali

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
ALVITO DA BEIRA - SOBRAINHO DOS GAIOS

quinta-feira, junho 05, 2008

" acha que vamos fazer alguma coisa no Euro...!?"

sem titulo

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
VALE DAS BALSAS - CATRAIA CIMEIRA - PÓVOA

quarta-feira, junho 04, 2008

pérolas de sangue

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
ALVITO DA BEIRA - SOBRAINHO DOS GAIOS

segunda-feira, junho 02, 2008

- Mala das Letras -

maletras I

maletras II

maletras III

A Maletras
- Mala das Letras -
Serviço de apoio bibliotecário aos Centros de Dia do Concelho de Proença-a Nova

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE

página a página

antena 1

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
PERGULHO - VALE DE ÁGUA - MOITAS

quinta-feira, maio 29, 2008

segunda-feira, maio 26, 2008

golo

investigador

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
PEDRA DO ALTAR - PERAL - VALE DA MUA

quarta-feira, maio 21, 2008

apoio

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
ALVITO DA BEIRA - SOBRAINHO DOS GAIOS

segunda-feira, maio 19, 2008

(http://blx.cm-lisboa.pt)

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE

Caminhante, as tuas pegadas

São o caminho e nada mais;

Caminhante não há caminho,

O caminho faz-se ao andar.

Ao andar faz-se o caminho

E ao olhar-se para atrás,

Vê-se a senda que jamais,

Se há-de voltar a pisar.

Caminhante não há caminho,

Somente sulcos no mar.

António Machado

Heranças

O “maduro Maio” de 1958 trouxe a luz do dia os primeiros “Carros-Biblioteca”, idealizados por José Branquinho da Fonseca e materializados pela Fundação Calouste Gulbenkian.
A influência nas gentes que as usaram e se apropriaram deste serviço excelente e de excelência, ainda hoje permanece fresca nas memórias, bem como a influência que teve para a vida escolar, profissional e pessoal de cada habitual e fervoroso utilizador.
Após um período de alguma estagnação, em boa hora alguns municípios voltaram a dar alento e uma nova oportunidade a estes veículos de transporte não só de cultura e informação, mas que se transformaram em autênticos companheiros de passagens assíduas e rotineiras.
A Bibliomóvel nestes dois anos de mil curvas percorridas, mil histórias ouvidas e contadas e das mil e uma histórias por ouvir e contar, foi-se transformando num espaço único de partilha de emoções, sentimentos, velhos sonhos e eternos desejos.
A sua presença auxiliou e incentivou os seus utilizadores em busca de novas oportunidades na busca de informação formativa e no processo fabuloso e mágico de descoberta do livro e da leitura.
A herança deixada pelos “Carros-Biblioteca” da Fundação Calouste Gulbenkian é carregada de responsabilidade e de um peso simbólico que com orgulho carregamos e que todos os dias tentamos prosseguir e melhorar, não para fazer história, mas para tentar ser dignos de pertencer a uma história que começou à 50 anos atrás e que queremos e desejamos que o seu rasto de sabedoria e companhia prevaleça.

O Papalagui

quarta-feira, maio 14, 2008


MALETRAS - A Mala das Letras
(em digressão brevemente)


CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO - AMBULANTE


prioridades

cunqueiros

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
RABACINAS- SOBRAL FERNANDO - MAXIAIS

quinta-feira, maio 08, 2008

exagerada

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
VALE DAS BALSAS - CATRAIA CIMEIRA - PÓVOA

quarta-feira, maio 07, 2008

"(...) agora tenho muito tempo...!"

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
ALVITO DA BEIRA - SOBRAINHO DOS GAIOS

segunda-feira, maio 05, 2008

velhos conhecidos

simbiose

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
PERGULHO - VALE DE ÁGUA - MOITAS

sexta-feira, maio 02, 2008

" essas letras pequeninas só com o par de óculos"

leituras de parede

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
CORGAS - MALHADAL

terça-feira, abril 29, 2008


CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE

Crónicas de uma gota de água

Os rituais diários sucedem-se ao ritmo constante de uma estrada que apesar de sinuosa e repetitiva não satura nem cansa. Pelo contrário motiva e convida a serem executados e cumpridos.
Sempre em nome da missão de transportar cultura a uma terra e gentes que nada pedem para além daquilo que se sentem no seu direito de possuir e tantas vezes se sentem ludibriadas nas suas mais que justificadas expectativas.
Expectativas essas que vão muito além do trivial acesso eficaz e eficiente a cuidados de saúde, uma boa rede viária que permita deslocações de uma forma rápida e confortável mas que ultimamente apenas tem servido para esvaziar mais rapidamente esta terras de gente em busca de um justo sustento para a gestão familiar do dia-a-dia.
Por várias ocasiões interpelamo-nos sobre se realmente a Bibliomóvel faz ou não a diferença, no meio de toda esta incerteza em relação a um futuro que tem todas as condições para ser luminoso, assim se apercebam não só os “Senhores da Caneta”, com as suas politicas e acções mas igualmente as gentes desta terra que tanto tem para dar e que muitos teimam em menosprezar, mas que possui no seu intimo, por vezes tão longínquo, não a solução para todos os seus problemas, mas os recursos naturais, patrimoniais e sentimentais que podem e muito contribuir para ultrapassar estas contrariedades.
A sensação de gota de água num oceano que sentimos diariamente nas nossas andanças, leva-nos a persistir e insistir na importância da Bibliomóvel, pois uma gota de água pode fazer toda a diferença. Ao juntar-se a outras gotas de água transforma-se num ribeiro que irá dar a um rio que por sua vez irá desaguar a um oceano. Mesmo aqui o seu percurso continuará pois as marés e as correntes podem levar longe, muito longe esta gota de água.
Assim esperamos que esta gota de água, que orgulhosamente representamos possa um dia regressar, completando o seu ciclo e contribuindo para um crescimento que ser quer harmonioso, o que significa desenvolvimento não só para esta terra como para as gentes que a povoam.

O Papalagui

quarta-feira, abril 23, 2008



23 ABRIL
DIA MUNDIAL DO LIVRO

- Ler devia ser proibido-

"A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verosimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projectos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incómodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil. Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna colectivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro.

Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano."

Guiomar de Grammon
lembrança

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
ALVITO DA BEIRA - SOBRAINHO DOS GAIOS

segunda-feira, abril 21, 2008

curvas rectas

verde fluído

visitas

verde estático

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
PERGULHO - VALE DE ÀGUA - MOITAS

quinta-feira, abril 17, 2008

no caminho certo I

flor de sol

no caminho certo II

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
CORGAS - MALHADAL

quarta-feira, abril 16, 2008

"história de vida"

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
RABACINAS - SOBRAL FERNANDO - MAXIAIS

quinta-feira, abril 10, 2008

" Caminho de Ferro de Benguela"

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
VALE DAS BALSAS - CATRAIA CIMEIRA - PÓVOA

sexta-feira, abril 04, 2008

apanhados em três tempos III

apanhados em três tempos II

apanhados em três tempos I

ensaio

CRÓNICAS DE UM BIBLIOTECÁRIO-AMBULANTE
PADRÃO - LAMEIRA DE ORDEM - PALHOTA - MONTE FUNDEIRO

quinta-feira, abril 03, 2008

quarta-feira, abril 02, 2008